A zona de pressão plantina

1º) Após as independências, Rio de Janeiro e Buenos Aires vão administrar o secular conflito entre Portugal e Espanha, relativo ao domínio do estuário do rio da Prata.

2º) Historicamente, a opção portuguesa fora o domínio das vias navegáveis, a procura das minas e o controle do contrabando e do comércio regional. Dom João incorporou tais desígnios, desde 1808, ao projeto de construção de seu império americano, que previa a inclusão de Buenos Aires e Montevidéu.

3º) As forças que se posicionaram então com o correr dos anos, eram complexas. As potências europeias e os Estados Unidos se lhe opuseram, tanto quanto Buenos Aires e a revolução de Artigas no Uruguai. Reagindo diante delas, dom João restringiu sua ação à anexação da Província Cisplatina, em 1821, depois incorporada ao Império Brasileiro

4º) Verificou-se em 1825, o agravamento da situação regional. Buenos Aires decretou a incorporação da Cisplatina, em resposta a uma declaração de independência uruguaia (Congresso de Flórida, 1825). Dom Pedro reagiu, por sua vez, à decisão argentina com a guerra a Buenos Aires e com o bloqueio naval. Desde então, como a guerra terrestre e naval nada decidia, a diplomacia internacional interveio com maior peso.

5º) O governo de Buenos Aires desencadeou, por outro lado, uma ação diplomática multidirigida e intensa, enviando missões junto a Bolívar, que não conseguiu aliciar à Inglaterra, onde Canning se opunha à guerra, aos Estados Unidos, cujo governo pretendia manter a neutralidade e não estava disposto a ceder um corolário argentino à Doutrina Monroe para fazer a guerra contra o Brasil. Em tais condições, só restava negociar com o Rio de Janeiro, para onde enviou duas missões importantes 1827 e 1828. Tanto mais que a herança artiguista, despontando como novo complicador, desenvolveu o germe da nacionalidade uruguaia, cujo movimento se fortaleceu internamente, em meio ao conflito dos outros.

6º) A solução começa a vislumbrar-se quando as partes, já desgastadas solicitam a mediação britânica. Canning não podia esperar nada melhor, porquanto se opunha às guerras intestinas no continente, como se opôs às guerras europeias de reconquista. Seu interesse era o comércio, e a guerra aniquilara o de Buenos Aires. A intenção de Gordon era o restabelecimento da paz e dos negócios, sem precondições.

7º) Não há indícios de que tenha sido a criação do Uruguai como um Estado-tampão um plano inglês. O Uruguai emergiu como nação autônoma pela determinação de seu povo, havendo cedido tanto o governo brasileiro quanto o argentino, em negociações habilmente conduzidas no Rio de Janeiro por seus representantes, sob coordenação dos mediadores.

8º) A convenção preliminar de paz, de 27 de Agosto de 1828, obrigava Brasil e Argentina a garantir a independência do Uruguai, conforme se disporia no tratado definitivo de paz. Em artigo adicional assegurava-se a livre navegação do Prata e seus afluentes para os súditos das partes. Esse foi um trunfo brasileiro, que também interessava à Inglaterra e às outros potências. Delas, aliás, recolherá o Brasil um interminável requisitório contra as presas que fizera durante o bloqueio.

Advertisements

Rispondi

Inserisci i tuoi dati qui sotto o clicca su un'icona per effettuare l'accesso:

Logo WordPress.com

Stai commentando usando il tuo account WordPress.com. Chiudi sessione / Modifica )

Foto Twitter

Stai commentando usando il tuo account Twitter. Chiudi sessione / Modifica )

Foto di Facebook

Stai commentando usando il tuo account Facebook. Chiudi sessione / Modifica )

Google+ photo

Stai commentando usando il tuo account Google+. Chiudi sessione / Modifica )

Connessione a %s...