O Jogo das Regras

1º) Desde os acordos da época da Independência, até 1844, o governo Brasileiro esteve em situação desfavorável.

2º) Para fazer cumprir as estipulações que lhes convinham, as nações fortes da Europa e os Estados Unidos recorriam a uma diplomacia arrogante e às ameaças da força. Sem poder com elas medir-se e reagir, permanecia o governo brasileiro numa oposição defensiva e conciliadora, cumprindo obrigações, cedendo a reclamações abusivas.

3º) Essa política passiva estendia-se às relações com o Prata, ficando o governo de Buenos Aires em condições de agir com desenvoltura na região. O retraimento nas relações com o exterior era uma consequência das iniciativas mal conduzidas. Era também aconselhável ante o reordenamento interno que se processava. Parecia suficiente como proposta de política externa, administrar o imobilismo.

4º) O liberalismo das baixas tarifas não foi favorável ao comércio exterior brasileiro, não foi compensado por investimentos ingleses no Brasil e não induziu o progresso interno como esperava alguns. O déficit do comércio exterior brasileiro era expressivo e explica-se, em grande parte, pelo desequilíbrio do intercâmbio bilateral entre o Brasil e a Inglaterra. O déficit do comércio contribuía para o do Tesouro

5º) A diplomacia brasileira esforçou-se para abrir mercados externos, utilizando seus agentes e enviando missões especiais, particularmente à Europa. Em 1835, Caldeira Brant foi a Londres pedir a revogação do artigo 19 do tratado de comércio, que fixava a tarifa de 15% para produtos ingleses, mas nada se alcançou.

6º) Em dois terrenos teve a diplomacia brasileira de enfrentar a prepotência das nações mais fortes que recorriam a ameaças imperialistas.

  • O primeiro diz respeito ao conflito com a Inglaterra em torno do tráfico de escravos
  • O segundo, a reclamações de natureza diversa, prevalecendo as exigências de indenizações pelas presas feitas à época do bloqueio do Prata

7º) As interpretações externas não deixavam de influir sobre a auto-imagem: vai-se forjando a percepção de um interesse nacional a defender interna e externamente pelos desígnios de uma política externa adequada.

8º) Entre a independência do Uruguai em 1828 e a fracassada aliança com Rosas, em 1843, a política platina do Brasil pautou-se pela neutralidade, ou seja, a não intervenção em assuntos internos dos Estados do Prata. Essa orientação baseava-se nos cálculos políticos:

  • A guerra da Cisplatina fora enfim perdida, com pesados custos que se prolongavam por meios das indenizações
  • Enquanto se mantivesse a independência do Uruguai e a livre navegação, não convinha intervir novamente
  • Francia frechara o Paraguai e mantinha-se contrário a qualquer aliança
  • A intervenção nos conflitos que se opunham as facções platinas entre si teria de definir-se pela composição ou pelo confronto com Rosas.

9º) A neutralidade brasileira, que não era uma política ortodoxa, correspondia, pois, ao isolamento do Brasil, imposto pelas lideranças platinas, quando em posição de força.

10º) Em relação a economia, havia um grande déficit nas relações comerciais, o que desencadeou a necessidade brasileira de abolir este sistema de tratados não vantajosos, sem nenhuma reciprocidade

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