O tráfico de escravos e o conflito com a Inglaterra

1º) Houve duas grandes fases, envolvendo as relações entre os governos brasileiros e inglês, ante o propósito de extinguir o tráfico de escravos.

  • A primeira vai da Independência a 1845, uma fase de cooperação difícil, de pressões e decisões entre 1826 e 1831 e de fracasso posterior.
  • A segunda, a partir de 1845, representou uma fase de ruptura e conflito, marcada pela ação inglesa unilateral, ineficiente e violenta, entre 1845 e 1850, pela ação brasileira unilateral e eficiente em 1850 e pela sequelas do conflito bilateral nos anos seguintes.

2º) Em 1845 interrompia-se a cooperação bilateral em matéria de repressão ao tráfico. As dificuldades acumuladas no período anterior foram tornando o relacionamento cada vez mais difícil. Os ingleses estavam descontentes com a continuidade do tráfico, com o que interpretavam ser a dubiedade do governo brasileiro diante das leis e com a rejeição pela Câmara dos Deputados dos artigos acordados em 1835.

3º) O Brasil rompeu com todos os acordos relativos ao tráfico de escravos e entrou em atrito com os ingleses. O tráfico de escravos para o Brasil não foi apenas objeto de entendimentos e atritos com a Inglaterra. Sua dimensão internacional compreendia por um lado iniciativas britânicas e brasileiras no sentido de associar outros governos na repressão e na solução do problema criado pelos escravos reexportados. Compreendia, por outro lado, a participação intensa de portugueses e norte-americanos no comércio de escravos. A diplomacia brasileira foi bem sucedida em obter a simpatia nacional internacional, o apoio dos negociantes britânicos e da própria opinião publica inglesa a favor de sua resistência aos métodos violentos da repressão inglesa.

4º) A decisão brasileira de extinguir o tráfico em 1850 explica-se por razões internas e por cálculos de política externa. Nos cálculos de Paulino José Soares de Sousa, convinha extinguir o tráfico por razões sociais e humanitárias, mas igualmente por razões estratégicas:

  • Dissipar o contencioso com a Inglaterra que parecia evoluir para o confronto armado
  • Viabilizar seus planos de intervenção contra Rosas, que tinha o apoio do representante britânico em Buenos Aires
  • Eliminar o principal obstáculo ao incremento da imigração livre.

Uma decisão que se tornou possível graças à mudança da opinião pública e ao fortalecimento do Estado

5º) Herdeiro de toda a tradição palmerstoniana, prepotente e preconceituosa diante dos povos atrasados, chegou ao Rio de Janeiro o representante Willian Christie, em 1860, disposto à diplomacia do porrete. Em 1863, reagindo a seus métodos, o governo brasileiro rompeu as relações diplomáticas e retirou seu representante em Londres. Quando desapareceu Palmerston, em 1865, as relações puderam ser encaminhar de forma mais civilizada.

6º) Durante várias décadas, agiu o governo inglês de forma direta, pela diplomacia, pela ostentação e pelo uso da força, para atingir seus objetivos no Brasil. Agiu a diplomacia brasileira de forma direta – protestando, negociando e protelando – e de forma indireta, atingindo importantes objetivos políticos e econômicos nos bastidores, à revelia dos governos de Palmerston e Aberdeen, graças às excelentes vinculações que soube estabelecer com a coroa inglesa, por um lado, e com os meios financeiros e econômicos, por outro. É preciso, pois, distinguir as relações de governo a governo, em que prevaleceu o conflito sobre o entendimento, e as relações de nação a nação, que marchavam para um entrelaçamento crescente e dominante, apenas desafiado no século 19 pela concorrência de norte-americanos, franceses e alemães.

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