Distensão e universalismo: a política externa ao final do império

1º) Duas tendências, interagindo uma sobre a outra, caracterizam a política externa brasileira, desde o término da guerra no Sul, até a queda da monarquia, em 1889.   A distensão externa, desejada e administrada pelo Estado, convinha por inúmeras razões:

  • Os efeitos da guerra somente foram positivos por que a vontade nacional atingiu seu fim; de resto, desviaram recursos e provocaram grave crise política interna, a primeira manifestação do militarismo e o protesto de todo o continente
  • A paziguaram-se velhos atritos do lado da Inglaterra, do Amazonas, das fronteiras em geral
  • A distensão era condição para conduzir as relações com a República Argentina sem nova guerra

2º) Pretendia-se, entretanto, imprimir maior prestígio e extensão para a ação externa – e nesse sentido eram programadas importantes viagens do Imperador pelo mundo, o Brasil marcava presença em congressos, feiras e foros de arbitramento internacionais, buscava o contato com o Oriente e aceitava, enfim, juntamente com os Estados Unidos, envolver-se com pan-americanismo. 

3º) As duas tendências, distensão e universalismo, como introspecção e dilatação, respondiam presumivelmente a apelos contraditórios das circunstâncias. Como na época da regência, a nação volta-se novamente para a solução de problemas internos:

  • Abolição da escravatura
  • A propaganda republicana
  • A necessidade de mão de obra
  • Reordenamento do aparelho de Estado em conformidade com os novos grupos hegemônicos, oriundos da expansão cafeeira

4º) Por outro lado, o retraimento não era aconselhável, no momento em que as relações internacionais se ampliavam com o apogeu da expansão colonial europeia, o crescimento da concorrência internacional resultante da nova onde de progresso, a queda dos preços agrícolas e o retorno ao protecionismo, que acentuava as rivalidades e desencadeava guerras de tarifas quando fracassavam as negociações dos tratados de comércio. A Alemanha bismarckiana agenciava as relações intereuropeias e se preparava, como o Japão e os Estados Unidos, para desempenhar um papel mais ativo no cenário mundial, que se encaminhava decididamente nas vias do imperialismo.

5º) O sistema internacional não se tornava mais complexo, porque tinha nesse novo estágio da evolução capitalista (imperialismo/expansão colonial) seu fio condutor , mas demandava dos Estados decisões de circunstância, com as quais a política viabilizava as possibilidades de dominação ou emancipação. Nesse sentido, há de se analisar, por exemplo, a diplomacia de prestígio e sobretudo o novo pan-americanismo.

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