Dom Pedro II e sua diplomacia de prestígio

1º) Nas duas últimas décadas do Império, quando as relações internacionais se ampliavam sob efeito da expansão colonial europeia e dos primórdios do novo imperialismo, dom Pedro II investiu seu prestígio pessoal, muito elevado tanto na Europa quanto na América, com finalidade de resguardar o interesse brasileiro no exterior. Usou, para tanto, de seus intensos e permanentes contatos com instituições científicas, cientistas, escritores e membros das famílias reais europeias.

2º) Dom Pedro II empreendeu importantes viagens pelo Ocidente. O chefe do Estado brasileiro tornava assim o país mais conhecido e respeitado no exterior. Por duas vezes, Dom Pedro II foi convidado pelas partes para nomear o terceiro juiz em comissões internacionais de arbitramento. O governo brasileiro, paralelamente, era solicitado a fazer-se representar em eventos internacionais de toda sorte. No seio dessa ampliação do horizonte externo, veio enfim a decisão de participar dos congressos pan-americanos, quando se ponderou não mais convir ao Brasil o isolamento tradicional.

3º) Dentre as iniciativas que marcam a expansão da política externa brasileira, nesse período de distensão, merece particular destaque o estabelecimento de relações diplomáticas regulares com a China, em 03 de Outubro de 1881. A missão à China, decidida em 1879 tinha por objetivo inicial promover uma corrente de imigração chinesa para atender às necessidades da lavoura, ressentida pela escassez crescente de braços escravos e insuficiência de imigração europeia.

4º) Três grandes obstáculos iriam entretanto comprometer a realização daquele objetivo:

  • No Parlamento brasileiro, insurgiu-se a opinião contra a iniciativa do governo, combatida ferozmente por Joaquim Nabuco e Alfredo Taunay, entre outros, que se opunham à vinda de chineses com argumentos sociais e raciais, porque supunham que iria desenvolver-se no brasil uma nova escravidão e efetuar-se uma nova contaminação biológica
  • Internacionalmente, era quase idêntica a avaliação feita pelos governos e pela opinião pública acerca das experiências migratórias chinesas para Califórnia, Peru, Cuba e Austrália
  • Insurgia-se o próprio governo chinês diante da situação humilhante em que se encontravam pelo mundo seus emigrados, chamados de coolies, e decidira bloquear a saída.

5º) Dessa forma, após intensas negociações, o governo brasileiro não obteve pelo tratado a autorização explícita desejada, mas apenas um dispositivo facultando aos súditos de ambos os impérios a liberdade de comerciar e transitar pelo outro país. É relevante, porém, o fato de o governo brasileiro buscar a China com as predisposições de obter um tratado desigual, nos moldes daqueles arrancados com métodos imperialistas pelas potências ocidentais. Já em seus preparativos, a missão se concertara na Europa com governos ocidentais em busca de apoio e levava instruções específicas para não discordar nas cláusulas a convencionar de nhum direito já outorgado anteriormente pela China, tendo em vista manter a simpatia e o consenso das nações “amigas”.

6º) Dom Pedro II negou-se a ratificar uma primeira versão do tratado, precisamente porque não se conformava com a série de tratados desiguais em algumas cláusulas. A diplomacia brasileira movia-se, pois, tanto por interesses nacionais concretos quanto pelos das potências dominantes, cuja ação era ordinariamente secundada pelo concerto diplomático.

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