A POLÍTICA EXTERIOR DA REPÚBLICA – Reações no exterior ao novo regime

1º) No plano estritamente diplomático, não houve solução de continuidade nas relações do Brasil com os demais países que nele mantinham representação diplomática por ocasião do advento da República, segundo relatório apresentado pelo novo ministro das relações exteriores Quintino Bocaiuva.

2º) As nações americanas acolheram com aplauso e solidariedade o novo regime. Uruguai e Argentina foram os primeiros países a reconhecê-lo, logo depois o Chile. A legação do Brasil em Washington, deu conta a Quintino Bocaiuva, que o secretário de Estado norte-americano, Blaine, considerava a República fato consumado e manifestava a intenção de reconhecer imediatamente o novo regime.  Blaine autorizou o representante no Brasil, Robert Adams, a manter relações diplomáticas com o Governo Provisório. Havia boa vontade por parte do governo norte-americano, desejoso de não baixar o nível em que então se encontravam as cordiais relações de amizade entre os dois países.

3º) O advento da República foi bem acolhido pela imprensa norte-americana, que enfatizou o fato de a transição ter sido feita sem derramamento de sangue. Pouco depois, voltava-se ao assunto para informar que o governo norte-americano faria o reconhecimento tão logo o novo regime obtivesse adesão da maioria nacional. A administração norte-americana passava a adotar uma atitude cautelosa e legalista, embora as relações de amizade não fossem afetadas. A verdade é que diminuíra o entusiasmo, e o presidente Harrison não acompanhava o secretário Blaine, no desejo de reconhecer formalmente o Governo Provisório. A hesitação ocorrida da boa impressão deixada por Dom Pedro II em sua visita aos EUA em 1876, e dos indícios de que o novo regime poderia evoluir para uma ditadura militar. A atitude de reserva norte-americana, embora por pouco tempo, causou estranheza e ia contra as expectativas de Quintino Bocaiuva.

4º) O embaixador do Brasil em Washington, Salvador de Mendonça, ao ser informado que as potências europeias não precederiam os Estados Unidos no reconhecimento, empenhou-se no sentido de consegui-lo, fazendo chegar ao Departamento de Estado, de modo indireto, sua posição sobre a “conveniência de serem os Estados Unidos os padrinhos do batismo”

5º) Em Dezembro de 1889, foi posta em votação no Senado norte-americano moção de um de seus integrantes, Morgan, recomendando o imediato reconhecimento formal da República. As opiniões no congresso estavam dividida a respeito. Havia receio de que a mudança de regime fosse decorrência de simples quartelada, sem apoio da vontade nacional. Os que argumentavam a favor levavam em conta razões de outra natureza: o reconhecimento serviria para “obstar as maquinações europeias, que poriam em perigo o novo regime”. Além disso, a demora no reconhecimento alimentaria as esperanças de restauração. A moção seria para dar força ao Poder Executivo e mostrar ao mundo que a República da América do Norte “não exitaria em tomar uma atitude favorável às repúblicas deste hemisfério contra as monarquias”. Parte da opinião vislumbrava, pragmaticamente, a oportunidade de os Estados Unidos terem o Brasil sob sua órbita de influência.

6º) O reconhecimento do novo regime e a resposta dada pela monção do congresso americano demostram o interesse da nova potência do Norte em, no embalo da mudança de instituições, estreitar as relações com o Brasil. Isto vinha ao encontro do desejo dos novos donos de poder no Brasil. Com efeito, uma das mudanças mais significativas imposta pelo novo às relações internacionais do país foi o direcionamento destas para os Estados Unidos.

7º) A Grã-Bretanha aceitou a República como fato consumado, mas protelou o reconhecimento formal a fim de evitar cometer ato precipitado. Por isso preferiu aguardar a estabilização do quadro político interno, adotando uma atitude legalista e, ao mesmo tempo, cautelosa que recomendava observar a reunião do Congresso Constituinte, bem como o desenvolvimento de seus trabalhos.

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