A imagem externa

1º) A transição política projetada na Grã-Bretanha ocorreu de modo tranquilo. Notícias tranquilizadoras foram publicadas nos mais importantes jornais londrinos a mando de Quintino Bocaiuva. A opinião pública inglesa confiava no futuro do Brasil sob as novas instituições.

2º) A partir de então, as apreciações favoráveis sobre a República decorrentes da maneira pacífica com que ela se instalou desapareceram. As severas observações sobre a situação geral do país e as críticas à administração pública – sobretudo após a reforma geral de Rui Barbosa – não cessaram e prolongaram-se até o advento do governo Campos Sales.

3º) Em 1891, a grave crise política que se instalou, causada pelos desentendimentos entre o Congresso e Deodoro, e pelas acusações de favorecimento imputadas a este, foi atentamente acompanhada pela imprensa londrina. Com a renuncia de Deodoro e a consequente ascensão de Floriano, renovaram-se as visões sombrias sobre o futuro do Brasil.

4º) As apreciações feitas pelos observadores estrangeiros pareciam confirmar as preocupações dos monarquistas. O barão do Rio Branco, por exemplo, ainda na condição de cônsul em Liverpool, vislumbrou a possibilidade de a República provocar a anarquia, e consequentemente, equiparar o Brasil às muitas chamadas repúblicas do mundo hispano-americano. Temia pela manutenção da ordem, da integridade, da prosperidade, e pela consolidação das liberdades no país. Escrevendo imediatamente após o advento do novo regime, observou que o momento não era para se fazer opção entre monarquia e República, mas sim entre “República e anarquia”

5º) No início do regime republicano, em que ainda não estavam consolidadas as novas instituições, uma das principais tarefas da legação brasileira em Londres consistiu em procurar desfazer a imagem negativa que o país ia adquirindo, pois esta redundaria em prejuízo para as finanças e para a economia nacionais.

6º) Uma crise de confiança se ensaiava. O GP teve de enfrentar sérias ameaças e pressões dos bancos ingleses e franceses. Aventou-se até a possibilidade de intervenção diplomática como recurso que eventualmente poderia ser usado por tais bancos. A par da crise financeira estava a crise política dos governos militares subsequentes à Proclamação da República a contribuir para formar uma imagem negativa do país. Ambas apareciam entrelaçadas, formando na mente dos observadores uma única e generalizada crise. A grande preocupação era, na verdade, com os interesses financeiro em jogo. Instabilidade política traria, inevitavelmente, prejuízo de ordem econômica.  Nessa linha, o embaixador do Brasil em Buenos Aires publicou em 1891 carta a respeito da situação financeira e política do Brasil, na qual procurou transmitir uma bela imagem do país na capital argentina.

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