O Brasil e o subsistema norte-americano de poder

1º) Tanto Rio Branco e Joaquim Nabuco, embora cada um a seu modo e expressando-se por meio de linguagens diferentes, reconheciam os Estados Unidos como o centro de um subsistema internacional de poder.  Nabuco formulou votos “para que se aumente a imensa influência moral que os Estados Unidos exercem sobre a marcha da civilização e que se manifesta pela existência no mapa do mundo, e pela primeira vez na história, de uma vasta zona neutra, de paz e de livre concorrência humana

2º) A visão realista de Rio Branco permitia-lhe, como outros de seu tempo, o peso dos Estados Unidos na nova distribuição do poder mundial e o fato de a América Latina estava em sua área de influência. Dir-se-ia que o Brasil não tinha alternativa ao estreitamento das relações com os Estados Unidos, descartando a possibilidade de uma aproximação com alguma potência europeia. Para o Brasil, a amizade norte-americana não só assumia um caráter defensivo-preventivo, como lhe permitia jogar com mais desembaraço com seus vizinhos. Ademais, Rio Branco não via a possibilidade de se formar no continente nenhum bloco de poder capaz de opor-se aos Estados Unidos, em razão da fraqueza e da falta de coesão dos países hispânicos.

3º) A ideia de um sistema continental tornou-se cada vez mais presente no discurso daqueles que se ocupavam da política exterior. Joaquim Nabuco era, entre os brasileiros, quem mais insistia e reconhecia a existência daquele sistema. As repúblicas americanas integravam “um só sistema político”, o continente da paz.

4º) Segundo Nabuco, os Estados Unidos lideravam a criação de “um continente neutralizado para a paz, livre e inacessível às competências da guerra que fazem do resto do mundo, da Europa, Ásia e África, hoje aglomerados, um verdadeiro continente beligerado. Descartava de vez, a possibilidade de alianças europeias, pois, “desde o dia em que a América se constituiu independente da Europa, formou-se um sistema separado, diverso e distinto do europeu. Segundo Nabuco, a Doutrina Monroe tinha caráter defensivo, pois serviria para afastar cobiças estrangeiras. A aliança com os Estados Unidos, por conseguinte, só poderia proporcionar benefícios. Para Rio Branco, a amizade norte-americana tinha um sentido pragmático.

5º) A principal obra de Rio branco foi solução de pendências lindeiras. Contando com a amizade norte-americana, não só evitava dificuldades que poderiam surgir em Washington – capital que, segundo ele, era o principal foco de intrigas contra o Brasil – como podia eventualmente utilizá-la a seu favor. A aproximação entre os dois países dava-lhe mais liberdade para negociar com as nações sul-americanas na busca de solução para os ainda pendentes problemas de fronteira.

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