O Brasil e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

1º) Iniciada a guerra na Europa, o governo brasileiro adotou completa neutralidade.

2º) No período que antecedeu à ruptura de relações com o Império alemão e posterior declaração do estado de guerra, ocorreu intenso debate interno. Havia os germanófilos – como Monteiro Lobato e Lima Barreto -, pró-aliados, estes em maioria – como Rui Barbosa e Olavo Bilac -, e aqueles que não se inclinavam por nenhum dos lados. Não escapou aos observadores brasileiros o caráter econômico do conflito. O momento foi, aliás, rico em análises sobre o Brasil e suas relações com o exterior. O imperialismo e o transcorrer da crise política na Rússia eram temas também presentes nos escritos.

3º) A razão imediata da entrada na guerra foi a ação dos submarinos alemães contra navios mercantes brasileiros. A ruptura de relações com o Império Alemão ocorreu após o torpedeamento, sem aviso prévio, do paquete brasileiro Paraná. A ruptura ocorreu em 11 de Abril de 1917.

4º) Em 31 de Janeiro de 1917, o governo imperial alemão notificou o governo do Brasil, por meio de seu representante em Berlim, do bloqueio naval da Grã-Bretanha, França, Itália e Mediterrâneo Oriental, e que atuaria sem restrições ou aviso prévio. O governo brasileiro só teve o conhecimento oficial em 3 de Fevereiro de 1917, por meio de telegrama da legação em Haia, que retransmitiu o telegrama de Berlim.

5º) Depois do torpedeamento de dois navios mercantes por submarinos alemães, o presidente pediu ao Congresso Nacional autorização para tomar medidas de represália. O Legislativo, em consequência, votou severa Lei de Guerra, pela qual se autorizava o governo, até 31 de Dezembro, a declarar estado de sítio nas partes do território da União onde fosse necessário.

A PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA

6º) Em Dezembro de 1917, o governo brasileiro comunicou ao da Grã-Bretanha a decisão de dar “expressão prática” à sua colaboração com os aliados. Uma vez aceita, o Brasil enviou 13 oficiais aviadores que, depois de treinados, fizeram parte da Força Aérea Britânica, uma missão de 100 médicos-cirurgiões à França; um grupo de estudantes e solados do Exército para dar guarda ao Hospital do Brasil. Isso contribuiu para o Brasil angariar simpatias nas negociações de paz. A missão médica na França seria extinta em Fevereiro de 1919.

7º) A contribuição mais expressiva porém, foi, a formação da Divisão Naval em Operações de Guerra, inicialmente composta por cruzadores e torpedeiros. Depois de escalas no Nordeste e em Fernando de Noronha, em Julho de 1918 seguiu para a costa africana, onde deveria atuar incorporada à força naval inglesa.

8º) A entrada do Brasil no conflito deu-se não muito tempo depois que os Estados Unidos nele se engajaram. A solidariedade hemisférica foi até oficialmente invocada pelo governo brasileiro. Já foi afirmado que o posicionamento brasileiro interessava aos Estados Unidos, pois influenciaria a posição dos demais países latino-americanos.

9º) Perto do fim do conflito, a Itália e a Grã-Bretanha fizeram ao Brasil propostas de cooperação aérea e naval que transcendiam a colaboração brasileira no conflito. Em Agosto de 1918, a legação da Itália informou ao governo brasileiro que estava em via de constituição, no Brasil, uma combinação ítalo-brasileira para a exploração das comunicações aéreas, e pediu apoio à sua realização.

REFLEXOS NO COMÉRCIO EXTERIOR

10º) Dentre as dificuldades criadas pela guerra, ressaltavam a guerra submarina e a Statutory List criada pela Inglaterra em 1915. Tal lista afetava as atividades das casas comerciais estabelecidas no Brasil. A guerra no mares levou as companhias nacionais a interromperem as viagens pela Europa. A exportação de café teve ainda uma dificuldade específica, pois o produto foi declarado contrabando de guerra pela Grã-Bretanha e, consequentemente, teve sua entrada proibida naquele país pelo fato de não ter sido, juntamente com outros produtos, inclusive oriundos de suas colônias, considerado gênero de primeira necessidade.

11º) Em decorrência da Primeira Guerra Mundial, ou mais precisamente do fim da neutralidade brasileira em favor dos Estados Unidos e potências aliadas, houve um aumento do intercâmbio comercial Brasil-Estados Unidos e, ao mesmo tempo acentuou-se ainda mais depois do conflito, até porque Nova York assumiu a posição que até então era ocupada por Londres nas finanças internacionais.

12º) Durante a Primeira Guerra e imediatamente após seu término, o saldo da balança comercial brasileira foi favorável. Ao mesmo tempo que o país importava menos, em razão da desorganização da produção europeia, aumentaram suas exportações, inclusive de produtos até então pouco expressivos nas vendas para exterior, como cereais, banha e carnes congeladas.

13º) No período que coincide com a Primeira Guera, o Brasil não teve problemas na sua balança comercial, já que os saldos foram favoráveis. O mesmo não ocorreu no quadriênio seguinte. O mandato de Epitácio Pessoa corresponde ao imediato pós-guerra. A retomada das atividades econômicas na Europa repercutiu em déficit na balança de comércio e consequente queda do câmbio. Junto com esses dois fatores negativos, o governo teve de lançar mão de empréstimos, um deles para acorrer à valorização do café. Esses fatores, acrescidos pelo quadro mundial difícil – nele incluída a retração dos capitais externos – dão ideia da magnitude dos problemas econômicos nacionais. Foi nesse período que teve início a contestação da política da Primeira República, em 1922

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