O Brasil na Segunda Guerra Mundial: Neutralidade e Pragmatismo

1º) O acompanhamento da evolução da difícil conjuntura era feito também com apreensão pelas autoridades governamentais, que não vislumbravam a possibilidade de o eventual conflito ficar restrito ao espaço europeu.

2º) Em 29 de Junho de 1939, o ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha, apresentou a Vargas sua proposta de regras de neutralidade. No ensejo, fez previsões e sugestões. Anteviu a dificuldade de o Brasil manter-se neutro na hipótese de guerra generalizada, repetindo-se o que ocorrera durante a Primeira Guerra. A partir disso, sugeriu providências:

  • Arregimentação da opinião pública
  • Economia de combustíveis e trigo
  • Regularização dos vencimentos de obrigações internacionais
  • Constituição de estoques de produtos indispensáveis
  • Proibição da exportação de ferro

3º) Quando do início das hostilidades, em Setembro de 1939, o governo declarou a neutralidade do Brasil, bem como estabeleceu as normas para a sua observação. A neutralidade foi violada mais de uma vez em razão da falta de capacidade militar brasileira para exercer vigilância em todo o extenso litoral. No momento em que a neutralidade brasileira passou a ser pró-Inglaterra e França, o Reich não reagiu, inclusive porque era-lhe mais importante manter o Brasil, como de resto toda América Latina, neutro no conflito. No referente às relações comerciais, as importações e exportações alemãs no Brasil sofreram acentuado declínio e, concomitantemente houve sensível aumento no intercâmbio comercial com a Grã-Bretanha e os Estados Unidos

4º) No período compreendido entre 1935 e 1941 foi sintetizado por Gerson Moura (1980) como de “equidistância pragmática”, pelo fato de o Brasil ter procurado tirar proveito da disputa então existente entre os dois blocos de poder, vale dizer, Estados Unidos e Alemanha. A atitude de indefinição do Brasil em face daqueles permitiu-lhe tirar vantagens em termos econômicos e comerciais.

5º) A retratação da presença comercial da Alemanha na América do sul por causa do conflito, e razões de ordem interna, inclusive a pressão popular, levaram o Brasil a abandonar a equidistância, substituindo-a pelo alinhamento aos Estados Unidos no final de 1941 e início de 1942. A Alemanha carecia das matérias-primas e do mercado brasileiros, o que explica as facilidades proporcionadas pelo comércio compensado, visto mais adiante.

6º) Os Estados Unidos, por sua vez, a fim de obter a colaboração do Brasil, em razão de sua posição geográfica e dos minerais estratégicos, faziam-lhe concessões. O governo brasileiro pôde, assim, praticar livre comércio com os Estados Unidos, concomitantemente ao comércio compensado com a Alemanha. O comércio compensado era um sistema em que importações e exportações eram feitas à base de troca de mercadorias, cujos valores contabilizados nas “caixas de compensação de cada” país. Mas tanto pelo livre comércio quanto pelo comércio compensado, o relacionamento era desigual, assimétrico.

7º) A ambiguidade do governo Vargas às vésperas do início do conflito na Europa refletia a divisão existente na própria cúpula do sistema político, entre pró-Eixo e pró-aliados. Aranha era o principal representante da segunda posição. Getúlio e militares integrantes do governo procuravam manter uma visão de neutralidade. Quando da ofensiva nazista de Abril de 1940, Aranha sugeriu que o governo brasileiro fizesse condenação pública da agressão alemã, sem contudo abandonar a neutralidade. Getúlio preferiu a neutralidade estrita em razão de a Alemanha ser eventual fornecedora dos armamentos de que o Brasil necessitava e em razão da posição daqueles militares.

8º) Afora o aumento das exportações, o governo brasileiro entendia como essencial para o desenvolvimento nacional a construção de uma usina siderúrgica. Queria-se, ainda, reorganizar as Forças Armadas, inclusive para garantir o seu apoio ao Estado Novo. O comércio compensado fazia crescer o intercâmbio comercial Brasil-Alemanha em níveis que preocupavam as autoridades norte-americanas, não só por razões estritamente econômicas, mas também, pela influência que o Reich poderia exercer sobre o governo brasileiro. Tais fatos, mais a antevisão do conflito, formaram o contexto no qual se inseriu a iniciativa do governo norte-americano de formular convite de visita do chanceler brasileiro aos Estados Unidos, oportunidade em que seriam reguladas as relações entre os dois países. Organizou-se assim, a Missão Aranha, que esteve nos Estados Unidos em 1939.

9º) A agenda de encontro da missão Aranha com as autoridades norte-americanas, constavam itens relativos às relações comerciais, político e financeiras. O objetivo era, por meio da assistência econômica, atrelar o Brasil ao sistema de poder dos Estados Unidos. Tal objetivo não se limitava ao Brasil, fazia parte da política de “boa vizinha” inaugurada pelo presidente Roosevelt. A colaboração econômica com os Estados Unidos, todavia, ficou aquém do esperado, e mesmo assim de difícil implementação em virtude de resistências internas no Brasil, existentes até dentro do próprio governo. Do ponto de vista militar, embora não se tenha conseguido o reaparelhamento, iniciou-se um lento processo de aproximação dos dois países. Aos Estados Unidos interessavam, além da adesão, neutralizar a influência alemã. A Missão Aranha é o fim da “equidistância pragmática”

10º) Em 1939 houve a  Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas para adotar uma posição em face do conflito então recentemente inaugurado. A delegação brasileira adotou atitude conciliatória com a finalidade de harmonizar propostas, e defendeu o princípio de “mar continental”, isto é, a criação de uma zona de segurança, a fim de resguardar a neutralidade e a tranquilidade.

 

Annunci

Rispondi

Inserisci i tuoi dati qui sotto o clicca su un'icona per effettuare l'accesso:

Logo WordPress.com

Stai commentando usando il tuo account WordPress.com. Chiudi sessione / Modifica )

Foto Twitter

Stai commentando usando il tuo account Twitter. Chiudi sessione / Modifica )

Foto di Facebook

Stai commentando usando il tuo account Facebook. Chiudi sessione / Modifica )

Google+ photo

Stai commentando usando il tuo account Google+. Chiudi sessione / Modifica )

Connessione a %s...