A participação no conflito

1º) A presença de tropas do Eixo no noroeste da África fez aumentar a importância do Nordeste brasileiro no sistema defensivo norte-americano. O ataque japonês a Pearl Harbour em Dezembro de 1941 foi reprovado pela opinião nacional e provocou a declaração de solidariedade do governo brasileiro aos Estados Unidos.

2º) Os representantes diplomáticos dos países do Eixo procuraram pressionar o governo brasileiro com a finalidade de mantê-lo neutro e impedi-lô de romper relações diplomáticas com estes. Não obstante, o Brasil não recuou da sua decisão de se alinhar aos Estados Unidos e, em 28 de Janeiro, rompeu relações diplomáticas e comerciais com o Eixo, não sem antes obter dos Estados Unidos, promessas consistentes de que as Forças Armadas seriam reequipadas. O Brasil alinhou-se aos Estados Unidos em um momento difícil para eles na guerra.

3º) Os acordos de natureza militar, estratégica e econômica, firmados entre fevereiro e agosto, inauguraram uma etapa de colaboração no relacionamento entre os países, cujos efeitos transcendem ao período em questão. O fornecimento dos EUA, a elevação do crédito do Brasil e outras formas de cooperação tiveram como contrapartida, sobretudo, a venda de material estratégico, principalmente borracha e minerais.

4º) O projeto de desenvolvimento nacional passava pela siderurgia, segundo Vargas, assim como a segurança nacional passava pela industrialização, segundo militares que o assessoravam. A implantação do projeto siderúrgico e o reequipamento das Forças Armadas eram variáveis de uma mesma política.

5º) O desenvolvimento do conflito e  consequente o bloqueio naval inglês contribuíram para evidenciar às autoridades brasileiras que os armamentos desejados só poderiam vir dos Estados Unidos. Como decorrência da intensa colaboração, os Estados Unidos venderam ao Brasil armas e munições a preços inferiores de custo, forneceram-lhe capital para assumir o controle de companhias de aviação do Eixo, e, ainda, para o desenvolvimento da industria extrativa mineral e vegetal de importância militar. Em 1942, foram autorizados a proceder as modificações necessárias à utilização militar nas bases de Belém, Natal e Recife.

6º) A represália alemã a não observação da neutralidade brasileira manifestou-se em ataques feitos pelos submarinos do Eixo a navios mercantes brasileiros, com a finalidade de interromper o transporte marítimo entre o Brasil e os países do Atlântico Norte. Em 31 de Agosto de 1942, tendo em conta inclusive a reação popular, o governo brasileiro reconheceu o estado de beligerância contra a Alemanha e a Itália. Reconhecimento de beligerância em vez de declaração de guerra, em atenção à tradição do país de nunca a declarar.

7º) A participação direta do Brasil no conflito decorreu MAIS DE sua vontade do que por solicitação dos Estados Unidos. A Grã-Bretanha era contrária mesmo à participação brasileira. Para os norte-americanos, o Brasil já dava importante contribuição e o envio de tropas não estava nos planos.

8º) Em termos materiais, a participação no conflito deixou saldo positivo ao Brasil. O Exército e a Força Aérea foram modernizados e equipados numa escala superior ao período imediatamente anterior, com quadros de pessoal treinados em centros mais avançados que os nacionais. Afora isso, é preciso considerar o aumento do prestígio internacional do país, figurando ao lado dos vitoriosos e o aumento do componente de orgulho incorporado ao sentimento nacional.

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