Aliança para o Progresso

1º) Coincidiu com a gestão de Jânio Quadros o lançamento, pelo governo norte-americano, da Aliança para o Progresso, iniciativa de ampla repercussão na América Latina e sobre a qual houve intenso debate interno. O plano foi exposto por John Fitzgerald Kennedy em Março de 1961, aos representantes diplomáticos dos países latino-americanos. Para aprecia-lo, a OEA convocou uma reunião extraordinária do Conselho Econômico e Social Interamericano, que se realizou em Montevidéu, no mesmo ano. O governo norte-americano prometeu destinar 20 bilhões de dólares à Aliança para serem empregados em programas de desenvolvimentos na América Latina, no decorrer dos próximos 10 anos.

2º) É oportuno lembrar que o governo cubano não subscreveu a Carta de Punta del Este. Guevara, chefe da delegação da ilha e então presidente do Banco Nacional de Cuba, quando do seu retorno, fez escala em Brasília, onde recebeu de Jânio Quadros a Ordem do Cruzeiro do Sul. Tal gesto contribuiu, em muito, para aumentar a oposição interna à política de Jânio Quadros.

3º) O plano de cooperação econômica norte-americano contido na Aliança para o Progresso corresponde a uma resposta, ainda que tardia, à aceitação da Operação Pan-Americana, formulada por JK. Entre a proposta de JK e o plano Kennedy, ocorreu a derivação de Cuba para o bloco socialista, fato que teria precipitado a decisão do governo norte-americano.

4º) A Aliança foi vista como um plano norte-americano destinado a “manter e reforçar a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina” e era vista como “contrapartida positiva do esforço americano para esvaziar a Revolução Cubana. A Aliança seria, assim, reformista e contra-revolucionária, reedição de uma forma de “imperialismo ilustrado” norte-americano, oposta à reforma social e pela manutenção do status quo. Ela, também, teria sido uma técnica de intervenção dos Estados Unidos nos assuntos internos de outros países do hemisfério. De qualquer forma, um instrumento para vincular os países latino-americanos visando o isolamento de Cuba.

5º) Diferenças entre a Aliança para o Progresso e o Plano Marshall:

  • As nações da América Latina eram fiéis ao sistema interamericano, e não sistematicamente não alinhadas
  • Não estavam interessadas em formar um terceiro bloco
  • Optaram pela democracia e pelo capitalismo

6º) A Aliança diferia do Plano Marshall não só pela menor quantidade do fluxo de recurso, mas também porque promoveria “utilização melhor das capacidades” da economia norte-americana, então com desemprego e excesso de produtos alimentícios.

7º) No que se refere à deterioração dos termos de troca, cabe mencionar que, em 1962, o ex-presidente JK afirmou, em consequência da queda do preço do café, o Brasil em sete anos perdeu mais do que recebeu dos EUA. Era, assim, necessária a reformulação da “Aliança para o Progresso”.

8º) A Aliança para o Progresso não empolgou positivamente a opinião da América Latina. No Brasil, recebeu repulsa dos nacionalistas que viam na aplicação dos programas da Aliança – numa área carente de quadros técnicos e de tecnologia, mas com forte presença de empresas norte-americanas – o aumento da dependência em relação aos Estados Unidos. 

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