O restabelecimento das relações diplomáticas com a URSS

1º) O restabelecimento das relações diplomáticas com a União Soviética foi um dos assuntos que mais despertou polêmica juntamente com a questão cubana, no período da Política Externa Independente.

2º) Tal processo foi iniciado na gestão JK/Horácio Lafer, quando foram restabelecidas as relações comerciais. A aproximação teve sequência na primeira gestão de Afonso Arinos e culminou com San Tiago Dantas, quando em Novembro de 1961, foram restabelecidas relações diplomáticas com a URSS, interrompidas desde 1947. Ambas missões tiveram categorias de embaixada

3º) Para San Tiago Dantas, o reatamento decorrida da universalização das relações internacionais do Brasil, necessária à ampliação do mercado para os seus produtos e, também, da intenção de contribuir para a coexistência com esta, para a causa da paz. Não se tratava de simpatia ideológica. Ao discursar na Câmara dos Deputados, o chanceler reiterou que o ato não significava nenhum comprometimento no sentido de negação dos princípios da democracia representativa. Na época, o Bloco Soviético era o de maior crescimento no mundo e não poderia deixar de passar essa oportunidade de intercâmbio comercial.

4º) Publicação de posição contrária ao reatamento, utiliza argumentos que:

  • Não era o intercâmbio comercial o grande interesse da União Soviética. Esta teria objetivos de ordem política. Com o reatamento, viria a literatura subversiva, a infiltração ideológica, entre outros males, em um Brasil carente de coesão social.
  • O Brasil não teria nada a lucrar, uma vez que poderia adquirir no próprio hemisfério e na Europa Ocidental, o que a URSS poderia oferecer.
  • O que o Brasil poderia vender a URSS, não era de uso corrente, como o café
  • Não se objetivava um intercâmbio comercial certo e amplo.
  • A URSS adquiria pouco algodão brasileiro
  • A URSS importava açúcar de Cuba e não do Brasil
  • A importação de trigo da URSS era baixa, e levantou suspeitas, uma vez que a URSS importava este cereal da Romênia e da Hungria

5º) Depois de alinhada as cifras comparativas, concluía por não ver nenhuma vantagem comercial, uma vez que o Brasil poderia comparar no mundo livre o que adquiria da URSS, ganhando no preço e na qualidade. Argumenta-se ainda que este país teria um plano de conquista para o mundo e o objetivo maior seria o Brasil.

6º)O comércio com a URSS foi deficitário para o Brasil no triênio 1959-1961 e em 1962-63, o saldo ficou positivo, porém, com ganhos irrisórios. Os números do comércio com a URSS justificavam a busca do incremento do intercâmbio econômico com os países do bloco soviético. Tal esforço pela ampliação do mercado exterior brasileiro só poderia ser visto com naturalidade, mas a PEI foi mal apresentada, engajada a uma retórica que agradava às esquerdas, fato que assustou, nomeadamente, os conservadores, numa conjuntura de bipolaridade.

7º) A PEI NÃO negava a importância dos EUA para as relações comerciais e para a cooperação econômica.

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