Os Estados Unidos e o golpe de 1964

1º) Na medida em que Goulart preconizava as reformas de base e acervava-se de esquerdistas, crescia a apreensão sobre os rumos do país e, proporcionalmente, a pressão externa. Vários candidatos brasileiros foram financiados por instituições bancárias americanas e canadenses. O Council of the Americas, liderado por David Rockfeller, contribuiu para a desestabilização do governo Goulart, com o conhecimento e participação da CIA

2º) Empresas norte-americanas pressionaram o seu governo com o propósito de provocar o colapso econômico brasileiro, por meio da suspensão da ajuda para o balanço de pagamentos do Brasil. A CIA, partindo da constatação de que a maioria da população brasileira era nacionalista, com um componente de antiamericanismo, opinava que a cessação de toda a ajuda financeira ao Brasil poderia aumentar o respaldo da população à política de Goulart. Daí a atuação da CIA na organização de grupos paramilitares e no fornecimento de armas, ponderando a hipótese de guerra civil.

3º) Não existem provas quanto à participação do governo norte-americano nos acontecimentos de que puseram fim ao mandato de Goulart em Março/Abrilde 1964. Mas não há duvida de que acompanhou todo o desenrolar da crise e que organizou uma força-tarefa para atuar em águas brasileiras para dar apoio aos possíveis revoltosos. Não se previa desembarque. A operação preventiva chamada de Brother Sam, foi cancelada em 3 de Abril de 1964, quando seus navios ainda se encontravam no Caribe, sem qualquer atuação, em razão da maneira rápida com que a crise teve desfecho. Mesmo contando com a simpatia e eventual apoio dos EUA, o movimento armado que depôs Goulart foi exclusivamente brasileiro.

4º) Outro aspecto a salientar é a ajuda dos Estados Unidos a governadores estaduais e prefeituras no período imediatamente anterior a 31 de Março. Além disso, houve auxílio a projetos específicos, como às polícias e ao Exército. A cooperação com este teria servido para aumentar a solidariedade entre os militares brasileiros e os Estados Unidos. A ajuda setorizada por critérios políticos, ao contribuir para um governador levar a afeito projetos de efeitos visuais, acentuava sua diferença em relação aos de tendência esquerdista.  

5º) Não se pode perder de vista, também, a influência ideológica anticomunista exercida pelos Estados Unidos por meio do treinamento dos oficiais brasileiros que frequentaram suas escolas especializadas desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

6º) Se na gestão de Jânio Quadros a PEI pôde ser usada como instrumento de barganha diante dos Estados Unidos (Jânio praticou o que os analistas denominam de “neutralismo tático“), o mesmo não ocorreu com João Goulart. Governo deste, ao ser visto pelos Estados Unidos como esquerdista e um “caso perdido”, ficou sem poder de barganha ante o parceiro hegemônico que, ao invés de barganhar, passou a adotar medidas que contribuíram para sua queda.

7º) Com relação ao golpe de 1964, a conclusão é que os Estados Unidos NÃO se envolveram diretamente em sua elaboração, mas dele tinham conhecimento, bem como o acompanharam com óbvio interesse e simpatia e estavam preparados para um eventual apoio aos sublevados caso fosse necessário (operação Brother Sam). Além disso, acolheram o novo governo (Castello Branco) com satisfação e inauguraram com este uma política de apoio e colaboração.

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