O Pragmatismo de meios (antes de Geisel)

1º) Antes de Geisel haver definido seu “pragmatismo responsável“, na primeira reunião ministerial de 74, e de tê-lo, a Chancelaria, interpretado como “atuação diplomática pragmática, dentro de parâmetros éticos e com uma perspectiva ecumênica“, já se haviam disseminado, na conduta externa, fatos e ideias que o caracterizavam como um método

2º) A economia determinava a política externa, mas tinha no Estado o articulador do processo produtivo – e esse agente, atendendo aos requisitos de racionalidade, percebeu, desde Costa e Silva, que o pragmatismo convinha à eficiência da ação, para ampliar a autonomia e obter ganhos concretos. O fim e o método vinham embutidos na nova correção de rumos de 1967, contribuindo para sepultar conceitos e práticas que a eles se conformavam e imprimir coesão e continuidade à política externa. 

3º) Havendo abandonado os princípios em favor da atuação pragmática, o Brasil reivindicou, desde Médici, “parcela de decisão cada vez maior” no sistema internacional, medida pela “sua realidade” e sua “capacidade de progredir“. Os termos “ético” e “responsável“, introduzidos à época da Geisel, traduziam apenas a preocupação de evitar que o pragmatismo fosse qualificado de oportunista.

4º) Era-o, todavia, em dose inevitável, mas seus atributos se situavam principalmente do lado de flexibilidade e da agilidade de conduta, da discrição que não alardeava êxitos, da adaptabilidade e relativa indiferenciação política. O pragmatismo haveria de guiar-se pelas circunstâncias, sem admitir dicotomias e camisas-de-força, sem opções exclusivistas pelo bilateralismo  ou multilateralismo, pelo Ocidente ou Terceiro Mundo, pelo alinhamento ou divergência, por essa ou aquela ideologia.

5º) Envolvia pressupostos de autenticidade nacional – complexidade brasileira e estágio de potência intermediária – de direitos e interesses brasileiros, para veicular a ação, com dignidade, pelos caminhos do universalismo e da boa convivência, visando à consecução de objetivos de política externa. Repugnava-lhe a intolerância racial, religiosa e ideológica, bem como ter de suportar ou exercer hegemonias no sistema internacional.

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