As relações regionais: o SUL (A APROXIMAÇÃO COM A AMÉRICA LATINA)

1º) A estratégia de inserção internacional, movida, pelos fins do desenvolvimento nacional e pelos meios pragmáticos, reservou ao Sul funções complementares às do Norte. De lá buscou o Brasil recursos financeiros, ciência e tecnologia – e, em escala reduzida, dimensionada as suas possibilidades, dispôs-se a repassá-los ao Sul, onde não encontrou, no período, parceiros em condições materiais ou com vontade política para tornar efetiva uma cooperação igualitária.

2º) O comércio exterior foi o elo de ligação entre os dois hemisférios, em termos de metas externas. Emergiu, entretanto, o setor de serviços, como nova variável peculiar de inserção do Hemisfério Sul. Assim, enquanto o Norte apoiava o desenvolvimento, na qualidade de indutor, o Sul, por onde se derramavam seus efeitos, preenchia os requisitos de sustentação desse desenvolvimento

3º) A política externa para a América Latina, entre 1967 e 1979, foi conduzida em três dimensões:

  • A ação nos órgãos multilaterais regionais para promover a cooperação dos Estados Unidos ao desenvolvimento reigonal
  • As iniciativas de integração multilateral e bilateral intrazonal
  • Escalonamento da América Latina na estratégia de inserção mundial.

Uma política deconteúdo econômico“, coerente e contínua e que buscava adaptações sucessivas ao longo do tempo em função de resultados

4º) À época de Costa e Silva, percepções contraditórias alimentavam as esperanças de integração, com apoio dos Estados Unidos, e apontavam para suas dificuldades concretas. A reunião dos chefes de Estado da OEA em Montevidéu, em 1967, aprovou a criação do Mercado Comum Latino-Americano, a ser implantado em 15 anos, a partir de 1970.

5º) Em 1969, a CECLA (Comissão Especial de Coordenação Latino-Americana) apresentava o Consenso de Viña del Mar, documento que condensava as reivindicações do latinos, desejosos de converter a OEA em um instrumento efetivo de cooperação. Embora empenhada decididamente nesse rumo, a diplomacia brasileira mostrava-se cética ante as possibilidades de um mercado comum, alegando três argumentos:

  • A inexistência de base física de comunicações
  • A disparidade das economias nacionais
  • Auto-suficiência do mercado interno para responder à expansão econômica

6º) Por essas razões, negociou desde 1967, com a Argentina, Paraguai, o Uruguai e a Bolívia, o Tratado da Bacia do Prata, firmando em 1969, com a finalidade de promover o desenvolvimento harmônico e a integração física da Bacia do Prata e de suas áreas de influência.

7º) Neste tempo, a diplomacia ocupar-se-á com o terrorismo nos órgãos continentais até 1971, enquanto segmentos das Forças Armadas, por ação paralela, apoiava golpes de Estado contra movimentos de esquerda em países vizinhos. Este foi um desvio, não o parâmetro da política regional brasileira no período.

8º) Durante o governo Médici, o relacionamento com a América Latina tornou-se contraditório. Buscava-se a cooperação nos órgãos regionais, em associação com os Estados Unidos, criando-se a CECON (Comissão Especial de Consulta e Negociação) para implementar o Consenso de Viña Del Mar, mas a nova política econômica norte-americana, a partir de 1971, provou o recuo da América Latina, agravando o relacionamento com o país do Norte.

9º)  Brasil obstou à criação do Mercado Comum e quis reforçar a ALALC para expandir suas exportações de manufaturados. Apoiou também a institucionalização da Assembleia Geral da OEA, a partir de 1970, como órgão de cooperação, que vinha substituir a Conferência Interamericana Quinquenal.

10º) A descrença na capacidade operativa dos órgãos multilaterais regionais NÃO provocou a retirada do Brasil, mas o reforço de iniciativas bilaterais. Os contatos bilaterais destinavam-se a encontrar fórmulas para o incremento do comércio e da cooperação, debatidas no seio das comissões mistas. Dessa forma, encaminharam-se inúmeros projetos de ligação ferroviária e rodoviária, construção de pontes e ampliação de outros meios de transporte. Foram, por fim, elaborados os grandes projetos de cooperação com o Paraguai (Usina de Itaipu), a Bolívia (compra de gás e complementação industrial, pela Ata de Cooperação de 1973), a Colômbia (estudos para a binacional de carvão), o Uruguai (projeto de desenvolvimento das bacias da lagoa Mirim e do rio Jaguarão)

11º) A Argentina, apesar de tornar-se, depois dos Estados Unidos e da Alemanha, o terceiro importador do Brasil e o primeiro de manufaturados, passou a obstar a esses esforços de integração, motivada eventualmente pelo temor que lhe impunham as visões políticas de Golbery do Couto, que pouca ou nenhuma influência exercia sobre a política externa brasileira, mas NÃO se recusou a operar harmoniosamente com o Brasil por meio dos mecanismos do Tratado da Bacia do Prata, no qual foram encontradas as primeiras fórmulas de conciliação para a disputa em torno da construção de usinas hidrelétricas. Os melindres dessas relações forçavam a diplomacia brasileira a reiterar suas repulsas por hegemonias, que não tolerava nem pretendia exercer, a dar demonstrações de cautela e a mostrar-se por vezes, menor do que era.

12º) As relações com a América Latina foram amarradas por uma teia de contatos, por vezes verdadeiros pacotes econômicos, firmados com todos os países importantes, à exceção da Argentina e do Chile. Considerando o êxito do Tratado da Bacia do Prata, o governo brasileiro tomou a iniciativa de propor aos países da Bacia Amazônica (Tratado de Cooperação Amazônica (TCA) um acordo de cooperação similar, estudado conjuntamente em 1977 e firmado em 1978, por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Desse modo acoplava-se a cooperação brasileira ao Pacto Andino (1969), junto ao qual o Itamaraty passou a figurar como observador permanente, dispondo de novos mecanismos de ação multilateral.

13º) Os resultados de todas as iniciativas ainda não foram avaliados. Por certo tiveram em boa parte um significado apenas político, a demonstrar os efeitos do crescimento brasileiro sobre o Continente Sul-Americano, mas as transações comerciais avolumaram-se, com um balanço favorável ao Brasil no período. A diplomacia brasileira esforçou-se por destruir estereótipos em voga no continente, que identificavam o Brasil ora a uma nova potência hegemônica, ora a executor de uma missão subimperial a serviço dos Estados Unidos. 

14º) Talvez aforça de tais interpretações equivocadas das motivações e das iniciativas tenha obstado ao entendimento com a Argentina, mesmo na questão dos rios, marginalizada do processo de integração, quando deveria construir a outra peça fundamental a seu êxito.

 

Annunci

Rispondi

Inserisci i tuoi dati qui sotto o clicca su un'icona per effettuare l'accesso:

Logo WordPress.com

Stai commentando usando il tuo account WordPress.com. Chiudi sessione / Modifica )

Foto Twitter

Stai commentando usando il tuo account Twitter. Chiudi sessione / Modifica )

Foto di Facebook

Stai commentando usando il tuo account Facebook. Chiudi sessione / Modifica )

Google+ photo

Stai commentando usando il tuo account Google+. Chiudi sessione / Modifica )

Connessione a %s...