Consolidação do paradigma logístico de inserção internacional

1º) No Forum Mundial de Davos, em 2003, como mensagem inicial de seu primeiro mandato, Lula deixa clara sua discordância diante do modelo neoliberal, que vê como uma ode ao deus-mercado. Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a fé cega na abertura dos mercados e na retração do Estado é incapaz de induzir o desenvolvimento e a igualdade entre as nações.

2º) Os novos dirigentes tomam, pois, consciência do papel do Estado, ao requisitar a ação política com o fim de fazer o país penetrar nos processos globais como agente ativo do sistema, sem submeter-se ao jogo das forças tradicionais. 

3º) Logístico é aquele Estado que não se reduz a prestar serviço, como fazia à época do desenvolvimentismo, nem a assistir passivamente às forças do mercado e do poder hegemônico, como se portava à época do neoliberalismo. Logístico porque recupera o planejamento estratégico do desenvolvimento e exerce a função de apoio e legitimação das iniciativas de outros atores econômicos e sociais, aos quais repassa responsabilidades e poder.

4º) Três casualidades colaboram para a consolidação do Estado logístico no Brasil de Lula:

  • A sociedade encontra-se em nível avançado de organização, com suas federações de classe articulando industriais, agricultores, banqueiros, operários, comerciantes e consumidores, condição que facilita a função de coordenação superior do Estado guiado pelo interesse nacional, soma dos interesses setoriais
  • A estabilidade política e econômica, que sugere associar a lógica da governabilidade interna com a lógica da governança global
  • O nível avançado dos agentes econômicos e sociais em termos de organização empresarial e competitividade sistêmica. 

5º) Como tudo isso depende do interno e do externo, o Estado entra com o peso do nacional sobre a política exterior e torna-se agente da governança global. Ao colocar a estratégia a serviço do desenvolvimento, faz nascer o Estado logístico, cuja conduta se diferencia, como se vê, daquela do Estado neoliberal, especialmente ao recuperar a autonomia decisória na esfera política e ao voltar-se para o reforço do núcleo duro da economia nacional.

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