Lançando a rede para além da vizinhança – Blocos, regiões e bilateralismo

1º) A confecção da rede global como propósito da política exterior do Brasil no século 21 toma impulso com o multilateralismo da reciprocidade, movido pela diplomacia, que estabelece coalizões e exerce lideranças nas negociações globais, e com a internacionalização movida por interesse pessoal de Lula e por empresários que alcançam todos os cantos do planeta. A rede lança raízes na América do Sul nesses dois aspectos e, fortalecida su base, estende-se ao mundo, como se este fosse o lugar natural do Brasil.

2º) As relações entre Europa e Brasil inserem-se em três contextos:

  • União Europeia e Mercosul
  • União Europeia e Brasil
  • Países europeus e Brasil

3º) Desde 1995, negocia-se um acordo para criação da área de livre comércio União Europeia-Mercosul, sem que os blocos cheguem a uma conclusão, 15 anos depois. O impasse é causado pela aversão brasileira a tratados sem reciprocidade, à semelhança deste e daquele, destinado, destinado à criação da ALCA, também inconcluso. Europeus e norte-americanos não abrem de subsídios e do protecionismo agrícola, porém exigem concessões

4º) Reunindo potenciais grandes economias do mundo, o Brasil tomou a iniciativa de criar um bloco político de países emergentes, chamado BRIC, que se institucionaliza em 2007. O bloco se volta tanto à promoção de negócios entre seus membros quanto para articular suas diplomacias e tomar posições conjuntas em temas que lhes convenham nas negociações internacionais. O bloco toma vida e condiciona o ordenamento traçado no seio do G20 financeiro, as políticas do FMI e do Banco Mundial, a reforma da ONU, a rodada de Doha e os regimes jurídicos em domínios importantes das relações internacionais

5º) Outro grupo político voltado à cooperação entre os membros e à harmonização de posições sobre o cenário internacional nasceu em Brasília, em 2003, reunindo três países-chave do sul propensos à autonomia decisória, as três maiores democracias em seus continentes: Índia, Brasil e África do Sul (Ibas). Além dos interesses globais com que se preocupa o grupo em sucessivas reuniões de cúpula, como associar inclusão social e desenvolvimento, a cooperação sul-sul se faz mediante acordos em áreas de necessidades específicas, como comércio, segurança, tecnologia de informação, energia, saúde, alimentação e interconexão com o Mercosul.

5º) Na CPLP, se o retorno econômico e estratégico é baixo, o cultural é alto.

6º) Desde 2003, era intenção do governo mudar a política brasileira para o Oriente Médio e os países árabes, quem sabe formar um bloco árabe-latino-americano para que as duas regiões pudessem elevar sua voz nas negociações internacionais e o Brasil ampliar seu comércio com o mundo muçulmano. Essa linha de pensamento fez nascer a Cúpula América do Sul-Países Árabes, realizada em Brasília, em 2005. E não suscitou preocupações das potências acostumadas a intervir na região, Europa e os Estados Unidos, em razão do papel moderador que a diplomacia brasileira exerce em todo o mundo.

7º) O mesmo não se pode dizer do acordo firmado entre Brasil, Turquia e Irã, em 2010, com o fim de viabilizar o programa nuclear iraniano.

8º) As relações Brasil-China, tidas por estratégias por ambos os governos, se fazem com base nos princípios da confiança mútua, comércio bilateral e coordenação de posição no âmbito das políticas multilaterais. Poucos são os investimentos brasileiros na China, restrito à área de cooperação tecnológica entre o INPE e a Agência Espacial Chinesa, que lançaram em 2007 mais um satélite conjunto de sensoriamento remoto.

9º) As relações Brasil-Índia tomam posições comuns nos fóruns multilaterais, especialmente para mudar as regras do comércio em seu benefício, mas sua cooperação bilateral é minguada, e o IBAS não supre essa escassez.

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As relação com o Sul: Oriente Médio e Ásia

1º) As dificuldades entre o diálogo Norte-Sul nos anos 80 e das dificuldades de relacionamento com os países industrializados, o Brasil buscou o reforço dos vínculos com o Sul e estabeleceu novas parcerias, particularmente com China, Iraque e Argentina

2º) O estreitamento com a China, timidamente encaminhado por Geisel, fortaleceu-se com Figueiredo, para atingir uma densidade só comparável às relações entre Brasil e Alemanha, Estados Unidos e Japão à época de Sarney. As etapas desse incremento de relações sucederam-se com realismo e determinação:

  • Convênio sobre transportes marítimos
  • Segunda reunião da Comissão Mista e expansão do comércio bilateral
  • Figueiredo foi à China, ocasião em que se firmaram acordo de cooperação nas áreas comercial (elevação do intercâmbio a um bilhão de dólares
  • Visitas de Estado e de chanceleres

3º) O Brasil ampliou contatos igualmente com o outro grande da Ásia, a Índia, tendo em vista os objetivos permanentes de sua política externa, mas o resultado não se podem, sequer de longe, comparar aos que advieram do entrelaçamento chinês. Em 1982, firmou-se um acordo comercial com o Paquistão e despachou-se importante missão aos países que compunham ASEAN.

4º) O Oriente Médio e a África do Norte, superada a euforia dos anos 70, despontaram nos anos 80 como um desafio à política externa brasileira, a exigir, na expansão da Chancelaria, um desempenho criativo, para descobrir as modalidades de aproximação. Os serviços de engenharia brasileira foram convidados a intervir com redobrado empenho, na prospecção de petróleo, construção de estradas, assistência militar, e penetraram alguns países como Líbia, Iraque, Arábia Saudita, abrindo o caminho para importantes contratos e grandes negócios com armamentos.

5º) O Brasil manteve sua política com relação à questão palestina, apoiando a criação do Estado e exigindo a retirada israelense dos territórios ocupados. Permaneceu neutro no conflito Iraque-Irã, mas, percebendo a dificuldade em lidar com a revolução islâmica dos aiatolás, não desprezou a oportunidade de suprir o Iraque com produtos manufaturados, alimentos e armas.

6º) O Brasil jamais conseguiu carrear investimentos diretos dos países árabes em proporção significativa, mas foi bem-sucedido, enfim, nos negócios que reverteram parcela de seus dispêndios co a importação de petróleo da região.